O Dia de Combate à Hipertensão (26 de abril), mais uma vez gera um maior alerta sobre os cuidados com o aumento da pressão arterial, e a população soteropolitana deve ficar particularmente atenta a esses casos. Pois para além da preocupação com a alimentação e com o uso excessivo de sal, dados apontam uma predisposição à hipertensão em indivíduos de ancestralidade negra. O estudo “Corações do Brasil”, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, aponta que a porcentagem de sujeitos hipertensos é maior nesses indivíduos, abrangendo 34,8 % dos participantes da pesquisa.
Sendo Salvador a cidade com maior população negra fora da África e com um alto grau de miscigenação, é preciso que os indivíduos tomem maiores precauções em relação à doença. O que é apontado como justificativa para este fato está relacionado às condições em que eram trazidos os escravos. Assim, a maioria morria por conta de infecções, uma vez que vomitavam e tinham diarréia e por isso não conseguiam reter líquido. Os que conseguiam sobreviver, no entanto, eram os chamados sal-sensíveis. O que houve, então, foi uma espécie de seleção natural. A maior parte dos negros que suportou a viagem comia sal, retinha líquido, o que elevava a pressão, e transmitiu essas características aos seus descendentes.