Os desafios da cardiologia para o ano de 2009 foram discutidos no dia 17 de abril, no auditório do Hospital Espanhol, durante o II Simpósio Anual de Terapêutica Cardiovascular. O evento, de grande importância não só para a área médica, mas para toda a população, contou com a presença de renomados especialistas em cardiologia do país, a exemplo do chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Espanhol, Dr. Fábio Vilas-Boas; além do americano Petter McCullough, diretor da Divisão de Cardiologia Preventiva do William Beaumont Hospital, localizado em Miami.
Entre os assuntos discutidos, destacam-se: os resultados de experiência pioneira no Brasil, com emprego de coração artificial; uma nova droga capaz de reduzir o colesterol e a inflamação dos vasos, evitando o infarto; como evitar o desenvolvimento de doenças, como angina e infarto, por meio de exames de sangue e imagem; e o diagnóstico precoce para evitar o infarto. O coração artificial AB5000 Ventricle, que aumenta a sobrevida de pacientes mais debilitados, em caso de espera para transplante, também foi apresentado no evento.
Intervenções cardiovasculares
O Brasil é o segundo país do mundo em números de cirurgias cardíacas. Essa afirmação foi dada pelo Dr. Júlio Braga, coordenador do Serviço de Cardiologia da URNC - Unidade de Recuperação Neurológica e Cardiológica, do Hospital Espanhol. Durante o II Simpósio Anual de Terapêutica Cardiovascular, Dr. Júlio apresentou o resultado de um estudo sobre os desafios antitrombóticos e abordou o assunto transplante de coração. Segundo o cardiologista, no Brasil, o número de pacientes que estão à espera de um coração ainda é elevado, devido às dificuldades operacionais e ao alto custo para a realização do procedimento. Contudo, a Bahia tem se empenhado para diminuir essa fila, e o Hospital Espanhol está engajado nesta causa.
Experiência com coração artificial já foi realizado em baiano
O cardiologista Cristiano Faber, coordenador do Programa de Transplante Cardíaco e Assistência Circulatória do InCor do Distrito Federal, apresentou durante o II Simpósio Anual de Terapêutica Cardiovascular, no Hospital Espanhol, o uso do coração artificial. O objetivo principal é aumentar a sobrevida de pacientes mais debilitados, em caso de espera para transplante. Disponível nos EUA a mais de 15 anos, no Brasil, o dispositivo já foi usado em cerca de 15 pacientes, ao longo de uma década, sendo que 50% desses foram realizados nos últimos três anos.
No Brasil, cinco Centros realizam esse tipo de procedimento: Albert Einstein, Fundação Universitária de Cardiologia (RS), InCor (DF) e (SP), e Hospital de Messejana (CE). Neste último, um baiano de 21 anos, vítima da doença de Chagas, se submeteu, com sucesso, ao uso do coração artificial. O equipamento ainda é pouco usado no Brasil, pelo custo elevado. O especialista defende a criação de um sistema de saúde que custeie parte do tratamento para que o coração artificial seja mais acessível, reduzindo o tempo de espera nas filas de transplante e, consequentemente, salvando vidas.