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Tumores Cerebrais
Pesquisas encontram-se em andamento e novas drogas se incorporam ao arsenal terapêutico. Há muitos casos de tumores cerebrais inoperáveis, porém, a possibilidade de controle vem crescendo cada vez mais.
Artigo médico escrito pelo coordenador do Serviço de Neurocirurgia, Dr. Marcus Vinícius Mendonça (CRM - 15663), e pelo oncologista Dr.Guilherme Fontes (CRM - 15783).
 

Os tumores cerebrais são divididos em neoplasias malignas e benignas, sendo as de caráter maligno as mais comuns. Os sintomas mais frequentes são dor de cabeça, em algumas vezes associada a vômitos, crises convulsivas, paralisias de toda uma metade do corpo, e em casos mais avançados um quadro de coma. O diagnóstico normalmente suspeitado pela história do paciente e quadro neurológico é confirmado através de exames de imagem, sendo a ressonância magnética, atualmente, o exame que melhor define uma lesão tumoral no cérebro.

Graças ao avanço da medicina, pacientes com tumores cerebrais, mesmo inoperáveis, ganharam novas armas terapêuticas que permitem, se não a cura, um período maior de controle de sua doença, com mais qualidade de vida para o paciente. A radioterapia, que consiste no uso de radiação ionizante para tratamento tumoral, vem se modernizando cada vez mais. Graças aos avanços tecnológicos, o planejamento terapêutico tornou-se mais efetivo, permitindo um dano mais direcionado às células tumorais, preservando melhor o tecido cerebral. Quanto mais direcionado o tratamento, menor a toxicidade para o paciente e menores serão os danos.

O uso de medicações antineoplásicas para tumores cerebrais também sofreu mudanças significativas nas últimas décadas. Dentre estes avanços, destaca-se o surgimento da temozolamida, droga pertencente à classe de agentes alquilantes. O surgimento da temozolamida permitiu tratamento de tumores de alto grau (como glioblastoma multiforme) com uma droga única, via oral, com bom grau de resposta e baixa toxicidade, podendo ser usada em domicílio, com maior conforto.

A introdução de drogas monoclonais, drogas geradas a partir de anticorpos produzidos por um único clone de linfócito, permitiu abrir um novo leque de tratamento para neoplasias cerebrais. O bevacizumab é um anticorpo monoclonal, que bloqueia a ação do fator de crescimento endotelial vascular, impedindo a neovascularização e com isto inibindo a proliferação tumoral. Trabalhos recentes mostram seu benefício em combinação com outras drogas, como o irinotecan, mesmo em pacientes já tratados com temozolamida.

Novas pesquisas encontram-se em andamento e cada vez mais novas drogas vêm se incorporando no arsenal terapêutico. Embora em muitos casos existam tumores cerebrais inoperáveis, o seu controle vem se tornando cada vez mais uma possibilidade. Independente destes avanços, devemos sempre lembrar que a arma mais efetiva numa doença tão agressiva está no carinho e apoio dos familiares e na humanização do corpo clínico.

Após o diagnóstico ser confirmado com exames de imagem, normalmente o paciente é encaminhado ao neurocirurgião para a avaliação do caso em questão para em seguida ser decidido qual o tipo de abordagem será realizado. O procedimento cirúrgico tem as seguintes diretrizes:

  • Confirmação histológica da lesão, lembrando que os diagnósticos através de exames de imagem apenas levam à suspeição do tipo tumoral, sendo que o diagnóstico definitivo é realizado através de anatomia patológica;
  • Redução de hipertensão intracraniana, pois o crânio é um compartimento fechado e qualquer aumento significativo de volume em seu interior pode levar à lesão de estruturas nervosas pelo aumento da pressão craniana;
  • Redução de componente tumoral, mesmo em tumores considerados irressecáveis, o procedimento cirúrgico consegue reduzir o volume do tumor, diminuir a quantidade de células neoplásicas em campo cirúrgico, aumentando o tempo de sobrevida do paciente e tornando a terapia adjuvante (radioterapia e quimioterapia) mais eficaz.


Tipos de tratamento cirúrgico:

  • Biopsia estereotáxica: procedimento cirúrgico minimamente invasivo que consiste em criar parâmetros de localização, através de um exame de tomografia, utilizando um sistema de coordenadas que define um alvo no crânio, permitindo realizar a biopsia de uma lesão localizada no interior do cérebro, com um risco mínimo para o paciente. O sistema estereotáxico também pode ser utilizado para guiar procedimentos cirúrgicos em que a área tumoral é extremamente pequena ou profunda;
  • Craniotomia para tumor cerebral: esta é a cirurgia clássica em que, para o cirurgião ter acesso ao tumor intracraniano, é realizado um corte no osso do crânio que expõe o tumor cerebral, sendo este então retirado pelas técnicas cirúrgicas correntes;
  • Microcirurgia para tumor intracraniano: associado à craniotomia. Temos, aqui, o emprego do microscópio cirúrgico que aumenta a visão do cirurgião em até 15 vezes, expondo toda a delicada anatomia do cérebro, levando a um procedimento cirúrgico mais eficiente e seguro para o paciente. Este é o procedimento cirúrgico para tratamento de tumor cerebral mais realizado no Hospital Espanhol.

 

O tratamento cirúrgico do tumor é individualizado e foram citadas aqui apenas as principais opções de tratamento e como a abordagem cirúrgica é a parte importante no tratamento de uma patologia cada vez mais comum em nosso meio.

O Hospital Espanhol hoje é uma referência estadual no tratamento de doenças neurológicas. Contamos com uma unidade de terapia intensiva neurológica, proporcionando mais segurança durante o pós-operatório de cirurgias complexas. O Serviço de Neurocirurgia possui total integração com o Serviço de Oncologia, sendo cada caso discutido pelas duas equipes, oferecendo a cada paciente um tratamento diferenciando e realmente multidisciplinar.

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