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A cirurgia de obesidade, tão comentada nos últimos cinco anos, vem contribuindo decisivamente para a redução das comorbidades, ou seja, doenças rotineiramente associadas à obesidade (podemos incluir neste contexto a hipertensão arterial, a diabetes mellitus, a esteatose hepática, distúrbio do sono, artraogias, entre outras doenças) fazendo com que pacientes que antes da cirurgia apresentavam uma qualidade de vida bastante ameaçada, passem a ter renovação da auto-estima e uma considerável redução das visitas aos ambulatórios médicos.
Um programa bem elaborado de tratamento cirúrgico da obesidade passa necessariamente pela criação de um núcleo multidisciplinar de tratamento, composta por profissionais de diversas especialidades - cirurgiões com especialidade em obesidade, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo e endocrinologista. Caracterizando-se assim, que somente uma abordagem multidisciplinar poderá ter êxito no tratamento. Mesmo assim, estudos estatísticos bem planejados definem que a adesão do paciente a toda estrutura hospitalar, mobilizada para o tratamento do obeso é o divisor de águas para o sucesso de todo o projeto. A nomeação de serviços de excelência para o tratamento do obeso e suas situações clínicas complicantes, tem como objetivo principal o tratamento multidisciplinar do obeso. Este tratamento constitui-se num desafio, visto a possibilidade concreta da formação de um pensamento imediatista em que o paciente elabora a cirurgia com um único objetivo almejado, o emagrecimento. Esquecendo-se, portanto, da necessidade do permanente convívio com o grupo multidisciplinar de apoio pós-operatório. A falta desse convívio, sem sombra de dúvidas, é o caminho mais rápido para o descontrole e a deformação de todo o tratamento. As cirurgias de obesidade, realizadas hoje em todo o mundo, com suas indicações bem definidas, são de eficiência comprovada, porém, as principais complicações dos procedimentos cirúrgicos são, na sua grande maioria, dependentes da pouca adesão destes pacientes ao grupo de apoio. Os erros alimentares, a queda do cabelo, a anemia, os déficits protéicos e minerais vistos de forma tão negativa, são esperados. Porém, se o paciente aderir à equipe multidisciplinar institucional, são plenamente contornados ou prevenidos. Desta forma, afirmo que o programa de tratamento do obeso, apesar de ter na cirurgia um valioso instrumento para um rápido e seguro emagrecimento, jamais poderá deixar de ter por perto a equipe de apoio multidisciplinar. Que, motivando os pacientes, será o suporte de maior importância para que seja alcançado o objetivo final de todo o programa, ou seja, o emagrecimento progressivo, seguro e saudável. Dr. Marcelo Zollinger é cirurgião geral, especialista em cirurgia da obesidade, coordenador médico do Núcleo de Obesidade e superintendente médico do Hospital Espanhol. CRM 6271 |
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