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Rimonabanto: a grande novidade
Uma nova droga utilizada na Europa e ainda em estudo nos Estados Unidos já provoca grande expectativa no Brasil.
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Uma nova droga utilizada na Europa e ainda em estudo nos Estados Unidos já provoca grande expectativa no Brasil. Com o lançamento previsto para o final de abril deste ano, o Rimonabanto age no sistema endocanabinóide.


Você deve estar digerindo essa palavra... canabinóide... Cannabis... isso mesmo! Canabinóide vem de Cannabis, o nome científico da maconha. Desde o ano de 1964, a interação do composto ativo da maconha com o cérebro humano vem sendo estudada. Os cientistas ficaram intrigados quando os usuários relatavam uma sensação de grande fome ao fumar. Chegou-se a conclusão de que existe um sistema de endocanabinóides e de receptores que participa da regulação da ingestão de alimentos e equilíbrio energético.


O Rimonabanto é o primeiro de uma nova classe de bloqueadores seletivos desse sistema. Promete auxiliar o combate à obesidade principalmente por antagonizar a hiperatividade do sistema endocanabinóide, comum nos pacientes obesos. De início, acreditava-se que com o uso do Rimonabanto ocorreria somente a diminuição da fome por ação central, de fato, houve perda de 5 a 10 % do peso corporal.


Adicionalmente, existe uma série de efeitos periféricos vantajosos, tendo em vista que os receptores endocanabinóides também estão presentes no tecido adiposo, músculos, fígado e trato gastrointestinal. Os estudos com esse novo medicamento mostraram uma melhora do perfil cardiometabólico nos pacientes obesos, ou seja, melhora do controle glicêmico, aumento dos níveis de HDL, diminuição de triglicerídeos e redução preferencial da gordura abdominal (5 a 9 cm pelos estudos recentes), mais relacionada a doenças cardiovasculares e diabetes.


O Acomplia®, nome comercial do Rimonabanto, é indicado em pacientes obesos (IMC ≥ 30) ou pacientes com sobrepeso (IMC > 27) associado a fatores de risco como hipertensão, dislipidemias e diabetes.


Toda droga nova relacionada à obesidade lançada no mercado gera um clima de euforia e uso indiscriminado. O Acomplia® não deve ser utilizado para fins estéticos e/ou sem acompanhamento médico, essencialmente porque tem efeitos colaterais, notadamente alterações do humor com tendência à depressão, náuseas e tonturas. Milagres não existem. O melhor remédio continua sendo a mudança no estilo de vida. E o acompanhamento médico, fundamental.

 

Dra. Cristiane Ferrari é endocrinologista do Hospital Espanhol. 

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