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| Orientações para o pós-operatório em neurocirurgia |
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| O paciente deve ser orientado desde a primeira consulta, chegando ao procedimento cirúrgico e após este, ao período pós-operatório, onde o paciente ainda se recupera do procedimento cirúrgico, mas, já está em condições de retornar à sua residência. |
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Para o sucesso de um procedimento cirúrgico muitas etapas devem ser seguidas. O paciente deve ser orientado desde a primeira consulta, chegando ao procedimento cirúrgico e após este, ao período pós-operatório, onde o paciente ainda se recupera do procedimento cirúrgico, mas, já está em condições de retornar à sua residência. Neste período, o paciente e a família têm várias dúvidas de como devem conduzir este retorno ao lar, já que o paciente necessita de cuidados e atenções diferentes. Verificamos quais as perguntas mais comuns na prática clínica e elaboramos as respostas numa forma de tira – dúvidas. Qualquer questão mais séria deve ser encaminhada ao Médico assistente, por consulta médica ou telefônica.
Qual deverá ser a alimentação do paciente no pós-operatório?
Normalmente se mantêm apenas as restrições normais que os pacientes tinham antes da cirurgia, isto é, pacientes diabéticos devem restringir açucares, pacientes hipertensos devem restringir sal. Para pacientes em geral recomendamos uma dieta mais leve no período pós-operatório, com menos gorduras e temperos. Pacientes acamados durante muito tempo ou em uso de corticosteróides apresentam quadro de constipação, uma dieta rica em fibras e alimentos como mamão e ameixa podem ser úteis em normalizar as funções intestinais. Pacientes submetidos à cirurgia de coluna necessitam de uma dieta mais rica em cálcio e vitamina D, devendo ingerir leite, derivados, folhas verdes e ovos.
Como será o repouso do paciente?
Esta orientação depende da complexidade do procedimento submetido e, se existe déficit neurológico. Pacientes submetidos à cirurgia de crânio e de coluna que não tenham déficits neurológicos no pós-operatório são orientados a passar mais tempo sentados e caminhar dentro de casa assim que retornam, porém, devem evitar nos primeiros 15 dias após o procedimento esforços físicos maiores como correr e levantar pesos. Pacientes que permaneceram muito tempo acamados podem apresentar pressão baixa ao sentarem e ao ficarem de pé. Ao se levantar dever ter o auxilio de um familiar para evitar que caiam. Em caso de vertigem o paciente deve ser novamente deitado e, na próxima vez, permanecer um bom tempo sentado para então se levantar de forma mais lenta. Pacientes com déficits neurológicos devem ser estimulados a sair do leito logo que possam, e a passar mais tempo sentados. As pessoas que ficam muito tempo deitadas podem evoluir com uma série de complicações como tromboses, pneumonias e escaras, devido ao tempo passado nesta posição. O corpo humano é uma máquina que funciona bem quando bem estimulado, portanto, de acordo com a orientação do médico assistente, logo que o paciente tenha condições, ele deve ser estimulado a retornar gradualmente a suas atividades habituais de uma forma contínua. Pacientes com déficit neurológico devem ser estimulados a se reabilitarem e utilizarem suas funções neurológicas restantes para atingir o maior grau de independência possível.
O que eu faço se ele tiver uma complicação em casa?
A complicação mais comum quando o paciente retorna em casa é sensação de dor. Normalmente o médico assistente prescreve analgésicos durante a alta do paciente, se a dor não melhora com o analgésico prescrito ou se mantém muito freqüente, o médico assistente deverá ser contactado. Caso o paciente fique tonto ao levantar, esta também é uma complicação comum, deve-se proceder como orientado acima. Pode ocorrer saída de secreção pela ferida cirúrgica, caso ocorra, deve ser contactado o médico assistente, devendo informá-lo sobre o volume da secreção, aparência e odor. Em casos mais graves como quando existe perda de consciência ou crise convulsiva, o paciente deverá ser encaminhado ao serviço de emergência após contato com o médico assistente. Em caso de crise convulsiva, o paciente deverá ser deitado no chão, protegendo a cabeça com travesseiros, evitar colocar algo na boca do paciente, esperar ceder a crise e encaminhar o paciente para o serviço de emergência.
Meu familiar vai ter alta para um serviço de Home Care, como proceder?
Pacientes que necessitam de suporte Hospitalar, mas mantêm quadro clínico estabilizado são elegíveis para um Serviço de Home Care, onde são desospitalizados. Devemos lembrar que longas permanências hospitalares cursam com graves complicações, sendo a mais comum e temida a infecção hospitalar. Nesta situação normalmente as empresas terceirizadas avaliam o paciente e o local da casa em que ele se acomodará, interagindo com a família sobre as modificações necessárias para a chegada do paciente. Cada paciente será suprido em suas necessidades de forma individualizada, pacientes em ventilação mecânica terão suporte diário de fisioterapia, pacientes com dieta enteral, visitas com nutricionistas. Faz parte das atribuições do Home Care a instrução da família sobre os cuidados com o paciente, preparando a família a manter a atenção ideal após a alta do serviço.
Quando ele deverá iniciar a fisioterapia?
Não há impedimento para o paciente iniciar tratamento fisioterápico logo após a alta. Na maioria dos casos a fisioterapia já se inicia no próprio ambiente hospitalar. O que deve ser lembrado é que, no pós-operatório imediato e até 15 dias após o procedimento cirúrgico, o paciente não deverá realizar esforços físicos intensos, devendo estes serem protelados para um período mais a frente.
Como devo fazer o curativo?
Incisões cirúrgicas secas podem ser deixadas descobertas após o terceiro ou quarto dia de cirurgia, devendo ser cobertas apenas se o paciente necessitar sair de casa. Se necessário, curativos podem ser feitos retirando esparadrapo e gaze antigos. Para isto, basta deslizar suavemente gaze embebida com álcool iodado pela cicatriz cirúrgica, retirar o excesso com gaze seca, cobrir o local dos pontos com gaze e fixa-la com esparadrapo ou micropore. Em caso de secreção em ferida cirúrgica ou abertura da pele suturada, o médico assistente deverá ser comunicado.
Dr. Marcus Vinícius Mendonça
CRM15663
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