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A perda auditiva relacionada a sons intensos é uma causa comum de deficiência auditiva. Esse tipo de perda é lembrado, frequentemente, relacionado ao trabalho. Porém, deve-se ter em mente outros fatores relacionados ao ruído, como intensa exposição no horário de lazer, predisposição genética, associação com ototóxicos, além da sintomatologia em diversos sistemas do corpo humano relacionado ao ruído, mesmo em intensidades que não levarão à deficiência auditiva. O primeiro relato na literatura de perda auditiva associada ao ruído está no livro do Eclesiástico com a citação: “Assim o ferreiro, assentado ao pé da bigorna, está atento ao ferro que está trabalhando; o vapor do fogo cresta as suas carnes, e ali está lutando com o calor da frágua. O estrondo do martelo fere sem cessar os seus ouvidos, e os seus olhos estão fixos no modelo da sua obra”. Outro relato antigo vem de historiadores que indicaram a presença de problemas auditivos nos moradores das proximidades das cataratas do rio Nilo. A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é um sério problema que afeta a saúde do trabalhador exposto a elevados níveis de pressão sonora em seu ambiente de trabalho, estimando-se que 25% da população trabalhadora exposta seja portadora. A PAIR está relacionada à intensidade, tempo de exposição e efeitos combinados com outros fatores de risco, como produtos químicos ou vibração. Inicialmente, os danos podem ser reversíveis, como após uma festa em uma boate, em que o paciente cursa com hipoacusia e zumbido. A recuperação pode ocorrer variando de minutos a dias. Porém, a re-exposição pode levar a uma perda auditiva permanente, ocorrendo danos estruturais a elementos críticos da cóclea (órgão responsável pela audição no interior do ouvido interno). A PAIR tem início variando com a predisposição do trabalhador, porém decresce com o tempo, atingindo seu nível máximo em cerca de 10 a 15 anos. Não existe, até o momento, tratamento para a PAIR, devendo-se buscar sempre a prevenção, não somente com o uso de equipamento de proteção individual, como protetores auriculares no ambiente de trabalho; mas, também, com os cuidados com os hobbies que possam ser possíveis causadores de lesão. O ouvido humano suporta até 80 decibéis (A) sem grandes riscos para a audição. Em níveis de 85 dB, a máxima exposição é de 08 horas/dia, havendo uma queda pela metade do número de horas permissível a cada acréscimo de 5 dB (ex: 04 horas para 90 dB), chegando a 07 minutos em 115dB. No entanto, muitos são os ruídos do dia-a-dia que alcançam ou superam essas faixas (ver tabela abaixo sobre sons em situações comuns):
Alguns hábitos das pessoas contribuem em muito para os problemas relacionados ao ruído, como a utilização de fones de ouvido em aparelhos de Mp3, Ipod e celulares, que podem emitir sons de até 110 dB. Relevante, também, são os locais utilizados, como ao se encaminhar ao trabalho no ônibus, metrô, ou durante a prática de exercícios físicos na academia (em que já existe sons de conversa e música neste ambiente), levando o indivíduo a aumentar o volume para que possa escutar com mais clareza a música selecionada por ele. Apesar do controle de ruído para níveis que não geram perdas auditivas, tem-se que tomar cuidado, pois mesmo em níveis de intensidade mais baixa, pode ser prejudicial à saúde, podendo predispor a problemas como: dificuldade de entendimento da fala, zumbido, plenitude auricular (sensação de pressão no ouvido), alteração do sono e de concentração, tremores, dores de cabeça, diminuição da reação a estímulos visuais e percepção das cores, piora ou desencadeamento de crises de epilepsia, mudança de humor, tontura, náuseas e vômitos, diminuição da libido nas mulheres, dificuldade de ereção nos homens, transtorno de ritmo cardíaco, aumento da pressão sanguínea e transtornos digestivos (aumento da acidez, gastrite e úlcera). Portanto, a era da tecnologia deveria ser chamada de a era do ruído onde uma pessoa acorda e vai para o seu trabalho de ônibus ou metrô e seu fone de ouvido, escutando uma boa música para começar o dia, ou no “silêncio” do seu carro com o som ligado. Chega ao seu destino e vai trabalhar sob a influência de ruídos de diferentes tipos e intensidades. Volta do trabalho e o seu velho companheiro no ouvido com suas músicas. Vai descansar enquanto assiste à televisão ou escuta o som enquanto toma seu banho. Para relaxar de um dia estressante, resolve ir a para uma festa ou um show com seus amigos. Volta para casa com aquele zumbido devido ao som da festa. Se mora perto de uma avenida movimentada, dorme ao som de carros, motos ou ônibus que passam durante toda a noite (quando não moram nas proximidades do aeroporto). Mas fica feliz, que apesar disso tudo, está chegando o tão aguardado carnaval e poderá relaxar ao som de sua banda favorita com todos os 120 dB de intensidade sonora do trio elétrico. No mundo moderno, o silêncio é até estranho... |
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