A obesidade e suas consequências terríveis à saúde do ser humano, tem sido um tema bastante discutido na última década em todos os recantos do mundo. O número de pessoas que estão acima do peso - 1,6 bilhão - atualmente é, muitas vezes, superior ao número de pessoas desnutridas, o que sem dúvida é o resultado de novas tecnologias, uma política e um comércio mais globalizado, com uma maior facilitação de intercâmbio cultural que estão de forma clara e transparente fazendo com que haja uma constante mudança no modo como nos movimentamos, bebemos e nos alimentamos.
Sem sombra de dúvida a população mundial vem engordando, principalmente após a segunda metade do século passado, quando após a segunda guerra mundial houve uma mudança no estilo de vida e nas relações comerciais entre os povos, com várias e impressionantes melhorias tecnológicas, invenções estas cada vez mais presentes na vida de todos, favorecendo conforto doméstico e uma vida mais tendente ao sedentarismo. É muito fácil colocar a culpa da obesidade e todas as suas comodidades na globalização e, principalmente, nos avanços tecnológicos como a televisão, a máquina de lavar, a máquina de secar, o fast-food, os alimentos industrializados, enfim, por todos os males do desenvolvimento.
Parece-nos contraditório que tenhamos lutado em todos os cantos deste mundo para que houvesse aumento da renda do trabalhador, um maior acesso a variados alimentos, e maiores possibilidades à aquisição de bens de consumo, com a evidente e inexorável melhoria na qualidade de vida, e agora responsabilizá-las pelo nosso aumento progressivo do peso corporal. É evidente que ninguém quer consumir uma desagradável dieta que só contenha, diariamente, arroz, milho, feijão e hortaliças quando o mundo globalizado tem consciência de que existem opções mais saborosas e disponíveis. Mas também duvidamos que alguém possa voltar a realizar os cansativos e desgastantes trabalhos manuais do passado, desconhecendo a evolução apenas com o objetivo de ter um maior gasto energético.
Poderemos imediatamente nos questionar se a espécie humana a despeito de já ter conhecido, por força do seu próprio desenvolvimento tecnológico, situações mais confortáveis no dia-a-dia do trabalho humano voltará a carregar pesados fardos, para não se tornar obesa? Assim, é evidente que depende muito do foco que as populações mundiais e seus governos darão a todos estes benefícios da evolução e do desenvolvimento no sentido de que a melhoria da qualidade de vida seja benéfica e não incremente direta ou indiretamente o aumento da obesidade no planeta.
Na nossa opinião, a questão central não é barrar o desenvolvimento e a modernização em toda a sua plenitude, mas sim encontrar uma maneira de adaptar nosso modo de viver, comer e beber, para que ganhemos com todas essas novidades e absolutamente não sucumbamos atrelados a elas.
O que realmente precisamos é de uma política industrial, uma política de governo e uma educação que conscientize a população mundial de que é preciso comer de forma melhor, abolindo açúcares e praticando exercícios físicos durante toda a vida. Obviamente é impressionante que a explosão global de obesidade tornará a população mundial muito menos saudável. Causa espanto que 20% da renda nacional dos EUA sejam gastas em despesas médicas, e que um percentual gigantesco deste seja consumido com as doenças associadas à obesidade.
Outros países que caminham nesta direção são o México e o Brasil, que ainda procuram uma duradoura estabilidade econômica e que precisam rapidamente de uma política de saúde que previna a obesidade, com isto diminuindo substancialmente seus gastos em saúde pública. Um aspecto de política global bastante interessante aconteceu em Cuba após o declínio econômico na última década. O colapso econômico elevou o preço da energia e dos alimentos e assim os cubanos comiam menos e andavam mais, e este aumento da atividade física teve como consequência imediata a redução tanto do peso como da obesidade, diminuindo também as mortes por doenças cardíacas e cérebros vasculares.
Temos consciência das grandes dificuldades que a obesidade traz para a população geral; os obesos geralmente são portadores de graves problemas de saúde, dormem mal, andam com muita dificuldade, quase na sua maioria são hipertensos ou e diabéticos, muitas vezes são excluídos do mercado de trabalho, têm graves problemas de auto-estima e precisam ser monitorados e tratados com regularidade. Desta forma, necessitamos de um clamor, para alertar a população de que somente uma política de governo que fiscalize a alimentação fornecida nas suas escolas, uma política na área educativa com conscientização permanente dos benefícios de uma alimentação saudável, uma política de maciça publicidade que estimule de forma eficaz e compulsória a prática de atividade física e que possa de forma independente proceder e regulamentar taxações em impostos e até interceder na política de subsídios da indústria alimentícia, visto as importantes modificações que aconteceram na indústria do tabaco, e que poderiam muito bem e rapidamente desestimular a ingestão de bebidas e comidas muito calóricas.
A verdade é que se não fizermos alguma coisa para deter a obesidade e suas consequências, em alguns milhares de anos, os únicos sobreviventes na nossa espécie serão aqueles que não armazenarem gordura, não gostarem de doces e que praticarem bastante atividade física ou quem sabe em algum tempo, ou em algum lugar possamos estar divididos em dois mundos- um mundo no qual os ricos produzem medicamentos para tratar péssimas escolhas sobre sua saúde e outro mundo em que os pobres serão gordos, muito mais excluídos da cadeia produtiva e terão sérios problemas de saúde.