![]() |
|
|||
|
O Diabetes Mellitus do tipo 2 (DM2) é uma doença crônica, que vem aumentando assustadoramente nas últimas décadas, acompanhando o crescimento da obesidade e do sedentarismo na população. Não é um fenômeno brasileiro, está ocorrendo no mundo inteiro, especialmente nos países em desenvolvimento como o Brasil e o México. Basta dizer que as complicações relacionadas ao DM2 são a quarta principal causa de morte no mundo. A boa notícia é que medicamentos inovadores têm surgido para o tratamento do DM2, ao contrário das medicações para obesidade, gradativamente retiradas do mercado sob argumentos inconsistentes e baseados em estudos polêmicos. Especialmente, neste pequeno artigo, gostaria de abordar uma classe de medicamentos já disponível em outros países e oferecida há pouco tempo no Brasil - os incretinomiméticos, que se dividem entre os inibidores de DPP4 (disponíveis por via oral) e os análogos do glp1 (disponíveis por via injetável). Estas medicações estão revolucionando o tratamento do diabetes. Hoje, vou me concentrar nos análogos do glp1. Para explicar melhor o funcionamento desta classe de medicamentos precisamos entender um mecanismo que ocorre naturalmente: o intestino produz hormônios (glp1, gip e outros) na presença de alimentos que estimulam a secreção de insulina e inibem a produção de glucagon no pâncreas. É o chamado efeito incretina, que está reduzido nos pacientes com DM2. Os medicamentos que mimetizam a ação do glp1 (Victoza®, via subcutânea, 01 vez por dia, Byetta®, via subcutânea, 02 vezes por dia) aumentam o efeito incretina, com melhora dos níveis de glicemia e com a grande vantagem de reduzir o risco de hipoglicemia, já que a ação ocorre em resposta à ingestão de alimentos. Os benefícios não param por aí. O glp1 tem ações positivas em outros órgãos, gerando efeitos adicionais como inibição do apetite e consequente perda de peso; melhora da função cardíaca; discreta redução dos níveis de pressão arterial; diminuição da produção de glicose pelo fígado e aumento da massa de células Beta (as células que produzem insulina). Estudos recentes, ainda apontam efeitos benéficos no metabolismo ósseo. Estes medicamentos já estão aprovados para uso em monoterapia ou em associação a outros medicamentos. A sua associação com a insulina ainda está sendo estudada, mas os resultados tem sido animadores. As pesquisas e a observação clínica têm mostrado poucos efeitos indesejáveis. Nós, endocrinologistas, ficamos muito satisfeitos com o lançamento dessas novas medicações, mas ressaltamos que é de extrema importância o acompanhamento médico frequente do DM2 para individualizar o tratamento e detectar possíveis efeitos colaterais. Dra. Cristianne Ferrari faz parte do Serviço de Endocrinologia do HE |
| Hospital Espanhol | Av. Sete de Setembro nº 4161 Barra Tel:. 3264 - 1500 | Salvador / BA |