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A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma afecção crônica, decorrente do fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago e/ou orgãos adjacentes ao mesmo, acarretando variável espectro de sintomas e/ou sinais esofageanos e/ou extra-esofageanos, associados ou não a lesões teciduais. DRGE é considerada, hoje, a mais prevalente do tubo digestivo, embora seja difícil obter-se a estimativa exata, já que a grande maioria dos indivíduos que sofre de sintomas decorrente do refluxo não procura assistência médica. As principais manifestações clínicas típicas da DRGE são pirose (azia) e regurgitação ácida, que significa o retorno de conteúdo ácido ou alimentos em direção à cavidade oral. A ocorrência de manifestações atípicas (dor torácica retroesternal, sensação de “bolo” na garganta, tosse crônica, asma, rouquidão, pigarro, halitose, aftas) algumas vezes constitui um verdadeiro desafio para o clínico pela dificuldade de estabelecimento de um diagnóstico preciso. Atualmente, o maior desafio para os clínicos é encontrar a melhor estratégia para o tratamento da DRGE, não só em razão do seu amplo espectro de severidade, mas também pela sua cronicidade, sendo que deve-se sempre avaliar cada paciente em particular, já que, não raramente, o tratamento implica na utilização de medicamento por toda a vida. O tratamento clínico tem como finalidade aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões, prevenir as recidivas e evitar as complicações. Com propósitos práticos, pode-se dividir a abordagem terapêutica em medidas comportamentais e farmacológicas, que deverão ser implementadas concomitantemente em todas as fases da enfermidade. Com o intuito de minimizar os episódios de refluxo, impõe-se a mudança de hábitos de vida do paciente, como elevação da cabeceira da cama, não se deitar nas duas horas posteriores às refeições, evitar alimentos que favoreçam o refluxo e que irritem a mucosa do esôfago (frituras, gordurosos, alho, cebola, doces, chocolates, refrigerantes, bebidas alcóolicas, café e chá preto), e não usar medicamentos que agridam a mucosa. Em relação ao tratamento farmacológico, uma grande variedade de medicamentos tem sido utilizada para o tratamento dos sintomas da DRGE e para a cura da esofagite. Entretanto, 10% a 20% dos pacientes presumivelmente permanecem parcial ou completamente não responsivos à terapia antiácida. Tratamento cirúrgico na DRGE não complicada deve ser considerado nas seguintes eventualidades:
Vários novos tratamentos endoscópicos para a DRGE estão sendo submetidos a estudos clínicos e alguns foram introduzidos na comunidade médica, porém ainda de forma tímida. Enfim, a definição de um esquema terapêutico diante de um paciente com DRGE tem que ser analisado caso a caso e, na proposição final do tratamento, deve-se levar em conta, além da experiência do médico, o tipo de paciente estudado, suas condições socioeconômicas e possibilidades maiores ou menores de aderência ao tratamento. Dr. Marcelo Zollinger é cirurgião geral, especialista em cirurgia da obesidade e do aparelho digestivo, coordenador médico do Núcleo de Obesidade e superintendente médico do Hospital Espanhol. |
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