menuCanto
Clube dos Profissionais
Momento Saúde
Publicações
Vivendo com Saúde
Consultas
Doença do Refluxo Gastroesofágico
Dr. Marcelo Zollinger
image.jpg
 

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma afecção crônica, decorrente do fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago e/ou orgãos adjacentes ao mesmo, acarretando variável espectro de sintomas e/ou sinais esofageanos e/ou extra-esofageanos, associados ou não a lesões teciduais.

DRGE é considerada, hoje, a mais prevalente do tubo digestivo, embora seja difícil obter-se a estimativa exata, já que a grande maioria dos indivíduos que sofre de sintomas decorrente do refluxo não procura assistência médica.
A DRGE tem impacto negativo na qualidade de vida, aumenta os custos com a saúde e o risco para lesões pré malignas.

As principais manifestações clínicas típicas da DRGE são pirose (azia) e regurgitação ácida, que significa o retorno de conteúdo ácido ou alimentos em direção à cavidade oral. A ocorrência de manifestações atípicas (dor torácica retroesternal, sensação de “bolo” na garganta, tosse crônica, asma, rouquidão, pigarro, halitose, aftas) algumas vezes constitui um verdadeiro desafio para o clínico pela dificuldade de estabelecimento de um diagnóstico preciso.

Atualmente, o maior desafio para os clínicos é encontrar a melhor estratégia para o tratamento da DRGE, não só em razão do seu amplo espectro de severidade, mas também pela sua cronicidade, sendo que deve-se sempre avaliar cada paciente em particular, já que, não raramente, o tratamento implica na utilização de medicamento por toda a vida.

O tratamento clínico tem como finalidade aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões, prevenir as recidivas e evitar as complicações.

Com propósitos práticos, pode-se dividir a abordagem terapêutica em medidas comportamentais e farmacológicas, que deverão ser implementadas concomitantemente em todas as fases da enfermidade. Com o intuito de minimizar os episódios de refluxo, impõe-se a mudança de hábitos de vida do paciente, como elevação da cabeceira da cama, não se deitar nas duas horas posteriores às refeições, evitar alimentos que favoreçam o refluxo e que irritem a mucosa do esôfago (frituras, gordurosos, alho, cebola, doces, chocolates, refrigerantes, bebidas alcóolicas, café e chá preto), e não usar medicamentos que agridam a mucosa.

Em relação ao tratamento farmacológico, uma grande variedade de medicamentos tem sido utilizada para o tratamento dos sintomas da DRGE e para a cura da esofagite. Entretanto, 10% a 20% dos pacientes presumivelmente permanecem parcial ou completamente não responsivos à terapia antiácida.

Tratamento cirúrgico na DRGE não complicada deve ser considerado nas seguintes eventualidades:

  • Pacientes que, por alguma razão (ordem pessoal, econômica, intolerância, etc.) acham-se impossibilitados de dar continuidade ao tratamento clínico, inclusive os pacientes com manifestações atípicas, cujo refluxo foi devidademente comprovado;
  • Casos onde é exigido tratamento contínuo de manutenção com IBP (inibidor de bomba de prótons) em dose adequada, especialmente em pacientes com menos de 40 anos, que optam por tratamento cirúrgico.


Na DRGE complicada o tratamento cirúrgico está indicado nas estenoses e/ou úlcera, e quando houver adenocarcinoma. O tratamento cirúrgico por fundoplicatura tem sido preconizado, por alguns autores, como tratamento de escolha para o esôfago de Barrett. Vale lembrar, contudo, que estudos longitudinais comparando a evolução de pacientes tratados clinicamente (IBP alta dose) e cirurgia (fundoplicatura) demonstram que nenhum dos tipos de tratamento foi capaz de reduzir a extensão de mucosa metaplásica. Por outro lado, foram descritos diversos casos de adenocarcinoma que ocorreram em esôfago de Barrett, anos após a realização da cirurgia.

Vários novos tratamentos endoscópicos para a DRGE estão sendo submetidos a estudos clínicos e alguns foram introduzidos na comunidade médica, porém ainda de forma tímida.

Enfim, a definição de um esquema terapêutico diante de um paciente com DRGE tem que ser analisado caso a caso e, na proposição final do tratamento, deve-se levar em conta, além da experiência do médico, o tipo de paciente estudado, suas condições socioeconômicas e possibilidades maiores ou menores de aderência ao tratamento.

Dr. Marcelo Zollinger é cirurgião geral, especialista em cirurgia da obesidade e do aparelho digestivo, coordenador médico do Núcleo de Obesidade e superintendente médico do Hospital Espanhol.

btnVoltarbtnTopo
Hospital Espanhol Av. Sete de Setembro nº 4161 Barra Tel:. 3264 - 1500 Salvador / BA