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Envelhecer é uma inevitável parte do ciclo da vida e, isoladamente, constitui a alteração mais importante que ocorre na estrutura da população global. Até recentemente acreditava-se que o envelhecimento ocasionava profundas alterações na função gastrointestinal, mas, estudos recentes demonstram que elas são tão discretas que não acarretam conseqüências sérias ao organismo. A capacidade funcional, tanto secretória como absortiva, de uma pessoa normal é tão intensa que a diminuição de 10% a 15% não é suficiente para que seu efeito manifeste clinicamente. As doenças intestinais no idoso têm despertado pouco interesse na literatura gastroenterológica. Entretanto, são freqüentes e, em geral, tratadas pelos geriatras. Embora o processo de envelhecimento provoque poucos efeitos no intestino, o médico que cuida desses pacientes deve estar atento e suspeitar das mesmas enfermidades que acometem também os jovens, como doenças inflamatórias, doença celíaca e verminoses. Além disso, certas condições, como enteropatia por antiinflamatórios e isquemia mesentérica, ocorrem freqüentemente na população geriátrica, aumentando consideravelmente a morbi-mortalidade. A diarréia é comum entre os idosos e constitui importante causa de morbi-mortalidade. Esses pacientes são mais susceptíveis à diarréia por diversos motivos, como debilidade do sistema de defesa (imunológico e não imunológico), cirurgia gastrointestinal, uso crônico de medicamentos e institucionalização (por exemplo, asilo). A diarréia infecciosa, causada por bactérias invasivas, toxinas produzidas por microrganismos, intoxicações alimentares ou agentes virais, ocorrem tanto no idoso como nos jovens. Entretanto, a probabilidade de complicações é maior no idoso. Uma causa comum de diarréia no idoso é o uso, muitas vezes exagerado, de medicamentos, tanto sob prescrição como na forma de automedicação (antibióticos, antineoplásicos, colchicina, sais biliares, laxantes, entre outros). A constipação intestinal é provavelmente uma das queixas mais freqüentes em gastroenterologia. Estudos epidemiológicos, realizados em diferentes partes do mundo, indicam que a prevalência de constipação e de incontinência fecal é maior no idoso que no jovem e endêmica em pacientes que residem em asilos. As principais causas de constipação no idoso são: dieta, imobilização, medicamentos, doenças sistêmicas (hipotireoidismo, hipercalcemia, hipopotassemia, diabetes mellitus, depressão, neuropatia autonômica, esclerose múltipla) e neoplasia colônica. O idoso pode cursar também com doenças inflamatórias intestinais, cujas manifestações clínicas são semelhantes àquelas verificadas no jovem, porém freqüentemente confundidas com doença diverticular, diarréia infecciosa ou colite isquêmica, acarretando demora no diagnóstico e, conseqüentemente, no tratamento. Doença diverticular do cólon são herniações da mucosa e da submucosa através da camada muscular da parede do tubo digestivo, com alta prevalência no idoso. As complicações são clássicas: inflamação (diverticulite, perfuração e hemorragia). Vale lembrar que tanto as alterações anatômicas, quanto às fisiológicas, no idoso, podem decorrer de doenças intercorrentes, efeitos ambientais, nutrição, consumo de álcool e fumo, ou de uma doença específica, em vez de ser simples conseqüência do envelhecimento. Dr. Wladimir Araújo é gastroenterologista, endoscopista e coordenador da Emergência do Hospital Espanhol. CRM 13142 |
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