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Há muitos anos a ciência médica vem trabalhando em uma tecnologia capaz de regenerar tecidos humanos. Durante o tratamento de diversas patologias, médicos tinham como limite a capacidade reparadora do organismo humano. Medicamentos e tratamentos correntes não substituíam ou modificavam a produção e modificação de células e tecidos. O princípio da terapia celular é simples: restaurar a função de um órgão ou tecido, transplantando novas células para substituir as células perdidas pela doença, ou substituir células que não funcionam adequadamente devido a um defeito genético. Células-tronco são células com capacidade de autorrenovação e de diferenciação em diversas categorias funcionais de células. Ou seja, as células-tronco têm capacidade de se dividir e se transformar em outro tipo de célula. Células-tronco podem ser programadas para desenvolver funções específicas, uma vez que se encontram em um estágio em que ainda não estão totalmente especializadas. São três os principais tipos de células-tronco. As células-tronco embrionárias e as adultas (encontradas principalmente na medula óssea e no cordão umbilical), que têm fontes naturais e as células pluripotentes induzidas, que foram obtidas por cientistas em laboratório em 2007. Células-tronco embrionárias são chamadas de pluripotentes, pois têm a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula adulta. São encontradas no interior do embrião, quando ele está no estágio conhecido como blastocisto (4 a 5 dias após a fecundação). Células-tronco adultas são encontradas principalmente na medula óssea e no sangue do cordão umbilical. Têm capacidade para se dividir e gerar tanto uma nova célula idêntica como outra diferenciada. São chamadas de multipotentes, por serem menos versáteis que as células-tronco embrionárias. Células-tronco induzidas começaram a ser produzidas em laboratório em 2006, e as primeiras células induzidas humanas foram produzidas em 2007, a partir da pele humana. Cientistas conseguiram fazer com que células da pele revertessem para o estágio de células-tronco através da modificação de fatores genéticos expressados pela célula. A Terapia Celular iniciou seu uso clinico nas décadas de sessenta e setenta com os primeiros transplantes de medula óssea para tratamento de leucemias. Com o advento de inovações na área de cultura celular e da compreensão dos aspectos moleculares celulares, iniciou-se uma nova fase da Terapia Celular, agora com o desenvolvimento do que chamamos Medicina Regenerativa. Através de vários estudos que estão sendo realizados por laboratórios em todo o mundo, estamos verificando o potencial regenerador da técnica em vários tecidos e em determinadas doenças, principalmente nas patologias em que os tratamentos propostos pela medicina corrente não oferecem um resultado satisfatório como as doenças degenerativas, doenças causadas por lesão tecidual como: infarto do miocárdio, AVC, cirrose hepática; erros inatos do metabolismo entre outras. O Estado da Bahia é um dos pioneiros nas pesquisas com Terapia Celular no Brasil. Durante a última década, vários estudos importantes foram realizados no estado pela equipe de pesquisadores da FioCruz Ba-Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz. As pesquisas se iniciaram com o uso de terapia celular para tratamento de pacientes com cardiopatia associada à doença de Chagas. Outro foco dos pesquisadores deste centro são as doenças do fígado, principalmente as relacionadas com cirrose hepática. A partir do ano de 2005, foi iniciado um protocolo de pesquisas para tratamento de lesões medulares através de Terapia Celular. O estudo iniciou suas atividades em uma pesquisa com animais, que após o transplante de células-tronco, obtiveram uma recuperação de movimentos e sensibilidade em patas traseiras. Através do bom resultado obtido na pesquisa com animais, iniciou-se um trabalho inédito no país em que pacientes com lesão medular seriam submetidos a transplante de células-tronco autólogas. Esta pesquisa é realizada através da parceria entre o Hospital Espanhol, o CBTC, a FioCruz e a FIBE. Os primeiro resultados com pacientes humanos são animadores, mas devemos recordar que o desenvolvimento de uma nova terapia requer vários passos na busca da segurança para o paciente e o aprimoramento da técnica desenvolvida. Apesar da Terapia Celular em medicina regenerativa atualmente se resumir apenas a grupos de pesquisa clínica, temos uma perspectiva que em um prazo inferior a uma década, os procedimentos de Terapia Celular serão corriqueiros, levando um alento a pessoas que não encontram um tratamento efetivo na medicina corrente. |
| Hospital Espanhol | Av. Sete de Setembro nº 4161 Barra Tel:. 3264 - 1500 | Salvador / BA |