Dra. Delia Cerviño
Serviço de Neonatologia Hospital Espanhol
Salvador – Bahia – Brasil
A obesidade é um dos problemas de saúde mais comuns nas sociedades afluentes. Desde 1998, a OMS considera a obesidade uma epidemia global. Está associada a maior risco de morbidade e mortalidade, tal como o diabetes não insulino-dependente (DNID ou diabetes do tipo 2), hipertensão, transtornos cardiovasculares e outras conseqüências físicas e psicossociais. Isto é de particular importância à luz do aumento dramático da adiposidade e do excesso de peso com relação à altura ocorridos durante os últimos 30 anos em crianças e adolescentes. Na infância e adolescência constitui o transtorno metabólico mais prevalente, e a principal doença não declarável (1, 2,3).
Além disso, à medida que a renda familiar aumenta e as populações se tornam mais urbanas nas economias emergentes, as doenças por excesso nutricional tornam-se crescentemente mais comuns relativamente às deficiências nutricionais – um fenômeno denominado “transição nutricional”. Os médicos e peritos em saúde pública temem que níveis de obesidade infantil semelhantes aos encontrados nos Estados Unidos possam ser alcançados também nas nossas regiões. Seu impacto social e futuro pode ter conseqüências muito negativas para o desenvolvimento e a qualidade de vida destas pessoas com excesso ponderal (1).
É cada vez maior a quantidade de crianças com risco elevado de desenvolver enfermidades crônicas relacionadas com a obesidade (as comorbidades) e cada vez a idades mais precoces da vida. Quando se tornam adultos obesos, os efeitos sobre sua saúde e expectativa de vida podem ser de extrema gravidade (3).
As investigações atuais se concentram em correlacionar fatores que interferem no peso do recém-nascido e suas repercussões no adulto e evidenciar as medidas preventivas que poderiam ser implementadas para diminuir a prevalência do excesso de peso e obesidade. Na verdade, o tratamento da obesidade infantil é difícil, caro e tem índice de sucesso relativamente baixo. Logo, a identificação de estratégias para sua efetiva prevenção é particularmente interessante. O sucesso é visto como fator essencial para a saúde das crianças e assim, para futuras gerações de adultos.
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